30.11.08

DEIXA ELA ENTRAR (Låt den rätte komma in, 2008), de Tomas Alfredson

O filme sueco DEIXA ELA ENTRAR foi um desses que conseguiu me pegar em cheio. Estraçalhou-me completamente. Se eu estivesse em uma sala de cinema (aqui em Vitória-ES o filme deve chegar lá no ano de 2015) teria que ser carregado pra casa ao sair da sessão. Reação semelhante em 2008 só com SANGUE NEGRO, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO.

Acho que se engana quem pensa que o filme é essencialmente sobre vampiros e afins. É acima de tudo uma experiência humana com total respeito pela realidade, sobre com ser adolescente e descobrir o amor nessa fase da vida e que, por um acaso, temos uma vampira de 12 anos no meio da trama. O diretor Tomas Alfredson faz um magnífico confronto entre as coerências do mundo real com os elementos do fantástico, do horror. Tudo parece plausível nesse universo irreal. A câmera sempre distante, serena, apenas enquadrando, compondo, trabalhando o foque e o desfoque, reflexos, sem muitos cortes nem os artifícios que parecem fazer parte da cartilha americana de “como criar ‘suspense’ em filmes de terror”.

Como disse, não considero um filme de vampiro, mas não deixa de ser um filme de terror. Ser adolescente é um terror. Pelo menos pra mim foi. E pode até parecer meio besta dizer isso, mas me identifiquei bastante com o Oskar, o garoto solitário, alvo de implicância dos colegas encrenqueiros que o filme busca transmitir com tanta sinceridade. E o final... que final! Acho que foi ele quem deu o tiro de misericórdia e me arrebentou depois de todo vislumbre anterior. Penso até que seria desnecessário a cena do trem que fecha o filme. Por mim poderia acabar ali mesmo naquele plano aberto da piscina mostrando o horror!

2008 foi um ano bom para o cinema de terror. Depois de DIÁRIO DOS MORTOS, THE MIST, [REC] e até o retorno de Zé do Caixão com ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, uma obra extraordinária como DEIXA ELA ENTRAR também ajuda a reascender as esperanças para o cinema de gênero. Pena que são tão poucos com essas qualidades...

THE MACHINE GIRL (Kataude Mashin Gâru, 2008), de Noboru Iguchi

Aquele típico filme que aparece de tempo em tempo pra reafirmar o grau de insanidade dos japoneses. Completamente vazio e sem sentido, THE MACHINE GIRL é uma parábola oca sobre vingança que resulta não mais que um simples espetáculo visual de violência explícita, gráfica até o talo, com direito a litros de sangue, membros decepados e cenas de luta e ação exageradas que lembram uma mistura de anime com uma versão gore dos Changemans, ou algo assim.

A trama é sobre uma garota que vive sozinha com seu irmão. Seus pais cometeram suicídio, mas ela possui uma vidinha pacata, vai a escola, pratica esporte, etc. O problema é que seu irmão se envolve com o filho de um Yakuza e acaba assassinado. A garota então parte pra vingança e nem mesmo depois de perder um braço, desiste de vingar a morte de seu irmão. A solução é colocar uma metralhadora no lugar do braço, só para vocês terem uma noção do negócio...

Referencias à outros filmes e diretores é que não falta em THE MACHINE GIRL. A já citada metralhadora no braço é bem ao estilo de PLANETA TERROR, e ainda há uma cena com uma serra elétrica na perna, algo como UMA NOITE ALUCINANTE III (só trocam os membros em ambos os casos, mas é mais uma viagem minha mesmo, foram filmes que me lembrei na hora). Há uma cena onde a mocinha enfia uma faca em cima da cabeça de uma vítima e vara na boca da mesmíssima maneira que Lucio Fulci fez em A CASA DO CEMITÉRIO e outra onde vários pregos são enfiados no rosto de um sujeito, assim como em ICHI - THE KILLER, do Takashi Miike.

Achei a direção meio porca, digamos assim, e a edição de algumas seqüências de ação não contribui em nada para o ritmo. O que ganha o espectador são os exageros e a criatividade, a vontade de fazer um filme diferente no geral, nem que tenha de chupar outros filmes aqui e ali, além de colocar toneladas de gore gratuito para que os fãs deste tipo de material saiam satisfeitos. Outro detalhe interessante e original é a versão infantilizada de situações de máfia em alguns momentos. Enfim, apesar dos pezares, THE MACHINE GIRL garante a diversão de quem se propõe a encarar o filme da forma correta, sem levar muito a sério a brincadeira.

25.11.08

PINEAPPLE EXPRESS (2008), de David Gordon Green

Texto meio cretino para um filme que merece mais, mas tudo bem. Pineapple Express pareceu-me uma junção perfeita entre os roteiristas de Superbad com o diretor David Gordon Green, um dos poucos cineastas da sua geração que conseguem imprimir uma visão de autor dentro do cinema americano atual, independente do gênero em que trabalha. O que poderia então esperar de uma "comédia de drogas" recheada de piadas infames, muito tiroteio, explosões e pancadaria dirigida por um sujeito que sempre trabalhou com um modesto orçamento em filmes de grandezas puramente cinematográficas? A resposta é Pineapple Express, um filme que consegue ser engraçado sem ser asqueroso ou dispensável, e para os mais experimentados é visível as influencias do cinema politicamente incorreto dos anos setenta e oitenta em cada situação que os personagens de Seth Rogen e James Franco despencam (estes, aliás, estão excelentes) e possui ritmo e elementos suficientes para não deixar espectador algum bocejar.

Anos 40

Quando fiz a lista dos meus filmes preferidos dos anos 50, disse que não daria continuidade para as décadas de 40, 30 nem de 20. Mas como a Liga dos Blogues Cinematográficos (da qual eu sou membro, por incrível que pareça) está elaborando um top da década de 40, resolvi postar aqui o que eu mandei pra eles:

1. Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette, 48), Vittorio de Sica
2. Festim Diabólico (Rope, 48), Hitchcock
3. As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath, 40), John Ford
4. Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident, 43), William A. Wellman
5. O Boulevard do Crime (Les Enfants du paradis, 45) Marcel Carné
6. A Felicidade não se Compra (It's Wonderfull Life, 46), Frank Capra
7. A Beira do Abismo (The Big Sleep, 46), Howard Hawks
8. Cidadão Kane (Citizen Kane, 41), Orson Welles
9. O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of Sierra Madre, 48), John Huston
10. Curva do Destino (Detour, 46), Edgar G. Ulmer
11. Fuga do Passado (Out of the Past, 47), Jacques Tourneur
12. Pacto de Sangue (Double Indemnity, 44), Billy Wilder
13. Interlúdio (Notorious, 46), Hitchcock
14. O Grande Ditador (The Great Dictator, 40), Charles Chaplim
15. O Terceiro Homem (The Third Man, 48), Carol Reed
16. Obsessão (Ossessione, 42), Luchino Visconti
17. Roma - Cidade Aberta (Roma - Città Aperta, 45), Roberto Rossellini
18. Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, 46), John Ford
19. O Falcão Maltês (The Maltese Falcon, 40), John Huston
20. Matei Jesse James (I Shot Jesse James, 49), Sam Fuller

Não tenho muito bagagem nesta década, por isso a obviedade dos títulos e a repetição de diretores, mas enfim...

20.11.08

THE OUTFIT (1973), de John Flynn

The Outfit é filme de ação policial classudo, com excelente direção de John Flynn (que também assina o roteiro) e um elenco que arrebenta em atuações acima da média. Por isso eu fico indignado como um filme desses pode simplesmente ser esquecido. A história pode ser simples, mas a riqueza de detalhes o torna superior que muito filme em qualquer época ou país. O próprio diretor nunca teve a devida atenção que merecia.

Mas chega de reclamar. Vamos ao que interessa, porque de qualquer forma, The Outfit é um filmaço que traz Robert Duvall sedento de vingança pela morte de seu irmão e passa o filme inteiro dando uma tremenda dor de cabeça aos responsáveis, seja roubando-lhes dinheiro em vários assaltos em lugares diferentes ou distribuindo chumbo na carcaça dos pilantras que resolvem impedir seus atos.

Seu principal alvo é ninguém menos que Robert Ryan, perfeito como sempre e em um de seus últimos papéis no cinema. Além dele, temos no elenco Jon Don Baker como o ajudante de Duvall, Timothy Carey e a vesguinha Karen Black vivendo a namoradinha do protagonista. O próprio Robert Duvall é uma escolha perfeita, e muita gente não lembra que durante a década de setenta foi um dos grandes action men do cinema americano.

The Outfit foi a terceira empreitada de John Flynn atrás das câmeras já demonstrando uma veia brilhante para o cinema de ação com uma câmera nervosa que dá um tratamento realista incrível em determinadas cenas. Como diretor de atores também não fica pra trás. Talvez o grande responsável pelo sucesso do filme seja Flynn com uma criatividade absurda para tirar The Outfit do lugar comum e transforma-lo num filme que necessita urgente de uma redescoberta.

17.11.08

A HORA DA BRUTALIDADE (52 Pick-Up, 1986), de John Frankenheimer


A Hora da Brutalidade é desses thrillers policiais que só poderia ter saído dos anos 80 quando os roteiros ainda elaboravam histórias inteligentes e criativas, criavam universos crus e violentos, vilões marcantes, heróis ambíguos e os diretores possuíam força narrativa sem afetações da linguagem de vídeo clip, tudo isso raro nos dias de hoje. John Frankenheimer já era um mestre do cinema americano quando dirigiu este aqui a partir do roteiro de Elmore Leonard, o pai dos romances policiais contemporâneos. E o filme conta com um elenco de primeira encabeçado pelo grande Roy Scheider, que partiu desta pra melhor no início do ano, além de Ann-Margret, John Glover e Clarence Williams III.

Na trama, Scheider interpreta Harry Mitchell, um empresário muito bem sucedido no ramo da siderúrgica, e embora tenha um casamento estável, dinheiro, um carrão, ou seja, não lhe falta nada, possui um relacionamento extraconjugal. Até aí tudo bem, digamos assim, já que é normal figuras desse tipo colocarem chifres em seus companheiros (as). O problema começa quando três sujeitos sem escrúpulos e perigosos filmam Mitchell pulando a cerca e resolvem fazer chantagem e ameaças em troca de uma boa grana. A premissa até parece um novelão melodramático, mas são os desdobramentos que transforma este simples plot em um thriller tenso com direito a uma jornada pelo submundo da prostituição e pornografia.

A densidade dramática e o detalhamento dos personagens são grandes qualidades no filme. Scheider está magnífico como sempre. Não é desses que sai atirando nos bandidos, mas parte pra cima de seus inimigos com coragem e inteligência. Quem rouba cena, entretanto, é o expressivo John Glover no papel de um dos vilões. Hoje fazendo seriados americanos, Glover nunca teve o reconhecimento que merecia e a prova disso está em sua interpretação em A Hora da Brutalidade. Outro destaque é Clarence Williams III, que vive um cafetão com um aspecto de dar medo, como na cena que em que quase mata uma de suas garotas asfixiada com um urso de pelúcia.

Embora não seja um filme de ação explosivo, com tiroteios e perseguições, Frankenheimer consegue passar muita intensidade das situações dramáticas e conduz com segurança as movimentações do roteiro e o controle sob seus atores. Seqüências de ação nem chegam a fazer falta, mas violência temos de sobra. A cena em que Mitchell assiste um snuff movie é extremamente realista e se encaixa perfeitamente ao universo da trama. Com todos esses ingredientes muito bem utilizados, A Hora da Brutalidade não tinha como não se tornar um clássico dos anos oitenta.

13.11.08

NAKED OBSESSION (1991), de Dan Golden


Frank (Willian Katt) é um sujeito pacato, vivendo sua vida quadrada enquadrada pela mulher e pelo trabalho, é um político prestes a se candidatar à prefeitura da cidade onde mora. Mas em uma bela noite, sua vida se transforma num inferno disfarçado de paraíso após conhecer o misterioso morador de rua Sam Silver (Rick Dean) e ficar obcecado pela stripper Lynne (Maria Ford) que levam o pobre Frank a um perigoso jogo de traição, assassinatos e a uma trama de suspense que até o mestre Alfred Hitchcock se surpreenderia.


Naked Obsession é o primeiro trabalho de Dan Golden atrás das câmeras, embora seja velho de guerra colaborador de grandes nomes do cinema de baixo orçamento americano, como Jim Wynorski. E até que se sai muito bem como um contador de história bem econômico e objetivo, trabalhando os elementos do thriller com precisão e tendo em mãos um material criativo (escrito por ele mesmo e Robert Dodson), cuja produção e suas baixas limitações permitem o charme que só este tipo peculiar de filme possui.

O roteiro é excelente, intrigante para quem se propor mergulhar de cabeça na história, rico em metalinguagem, quase uma versão de Fausto do cinema B (como disse o Osvaldo Neto quando me indicou o filme). Vale ressaltar a participação das figuras ilustres que preenchem o filme como a belíssima Maria Ford, demonstrando que não é necessário ser uma atriz muito expressiva quando não precisa de figurino algum, e claro, Rick Dean, como um bizarro e enigmático “anjo da guarda” que surge para apresentar um lado da vida que Frank ainda não havia experimentado.

12.11.08

PERIGO EM BANGKOK (Bangkok Dangerous, 2008), de Danny & Oxide Pang

Pois é, às vezes meu instinto cinéfilo-masoquista fala mais alto e acabo me deparando com umas bobagens como este Perigo em Bangkok. Eu realmente gosto de depositar alguma esperança em filmes difamados. Quando possui alguém com um certo prestígio envolvido no projeto então, eu fico até um pouco mais animado, mesmo sabendo onde estou me metendo. No caso deste aqui, temos na direção os irmãos Pang, cuja carreira foi reconhecida pelos bons filmes de terror que realizaram (embora este aqui seja uma refilmagem de um filme de 1999, escrito e dirigido pelos próprios irmãos) e no elenco, Nicholas Cage se afundando cada vez mais em papéis que não chegam nem aos pés do que já fez nos anos 80 e 90.

Cage vive um assassino solitário, calculista (o de sempre, né?), mata sem remorsos até mesmo seus ajudantes para não deixar rastros pelas cidades onde passa ao redor do mundo. O problema é que a história que o roteiro resolve contar é justamente quando o sujeito amolece o coração. Ao realizar seus serviços, na cidade de Bangkok, ele começa a desenvolver sentimentos ruins para sua profissão, como se apaixonar por uma moça e iniciar um treinamento com seu novo ajudante. Muito lenga lenga aqui e ali, canastrice de Cage pra lá, o filme flui com uma dificuldade que nem mesmo as cenas de ação meia boca conseguem divertir. Aos 45 do segundo tempo, o personagem volta ao normal, vira o assassino frio de sempre, deixa um bom número de vagabundos abatidos, mas já é tarde demais.

11.11.08

WINCHESTER 73 (1950), de Anthony Mann

Quando estava assistindo o novo 007, em alguns momentos eu me lembrava de Winchester 73, que eu havia conferido uns dias antes. Os dois não têm nada em comum, só que o primeiro me decepcionou um bocado por causa das cenas de ação, e o segundo é praticamente uma aula de direção sobre o assunto. Um Western dos mais originais que eu já vi e conta com o sempre competente James Stewart vivendo um sujeito marcado pelo desejo de vingança caçando o assassino de seu pai. Ele é um excelente atirador, mas seu oponente também não deixa a desejar, como é mostrado logo no início na disputa de tiro ao alvo cujo vencedor leva como premio a belíssima winchester que dá nome ao título. O filme ainda tem em seu elenco Shelley Winters, além de Rock Hudson e Tony Curtis no início de suas carreiras.

A grande sacada do roteiro é colocar a winchester como protagonista de uma jornada pelo oeste americano. O personagem de Stewart ganha o prêmio que disputou no início do filme, mas logo em seguida sua recompensa é roubada e a arma vai passando nas mãos de bandidos, índios, cowboys, casacas azuis, em vários lugares e situações, sempre causando sentimentos de cobiça e espalhando morte como um verdadeiro personagem de carne e osso. A narrativa escolhe sempre acompanhar o caminho que a arma faz ao invés de seguir os atores de maneira definida. Acaba transformando-os em meros coadjuvantes.

A forma como Anthony Mann se preocupa com um projeto deste tipo demonstra uma segurança exemplar. O único outro filme do diretor que eu havia visto é Um Certo Capitão Lockhart, também com Stewart, e não tão bom quanto este aqui, mas vale a pena. Mann parece ser um desses diretores para se pegar a filmografia inteira e assistir tudo. Em Winchester 73, ele transforma os planos mais simples ou pequenos movimentos de câmera em cinema puro, como no genial duelo final entre Stewart e seu inimigo. Um dos grandes momentos do western americano, sem sombra de dúvida. Se for sempre assim, Mann corre o risco de se tornar um dos meus diretores de cabeceira.

10.11.08

POLIZIOTTI VIOLENTI (1976), de Michele Massimo Tarantini

Neste fim de semana tive o prazer de assistir esta pequena peça do cinema policial italiano dos anos 70. Como todo bom Polizieschi (nome pelo qual este subgênero ficou conhecido), Poliziotti Violenti tem a sua história centrada no submundo do crime organizado onde dois sujeitos cascas-grossas realizam uma série de investigações para desmascarar uma quadrilha que utiliza um armamento pesado, usado pelo exercito italiano, em plenas ruas de Roma. Uma das grandes qualidades do filme é a presença das duas figuras que interpretam os abelhudos. O ator americano Henry Silva, sempre subestimado em seu país, mas muito bem aproveitado no cinema de gênero italiano, vive Altieri, um oficial do exército que se mete em várias enrascadas pra descobrir o caso do armamento e Antonio Sabato, que interpreta Tosi, um policial tentando se infiltrar na organização que trafica essas mesmas armas.

Um acaba cruzando o caminho do outro e o diretor Michele Massimo Tarantini se aproveita muito bem da relação de amor e ódio que surge entre os personagens (sem segundas intenções, por favor). Mas quando os dois decidem unir forças para acabar de vez com a quadrilha, eu não gostaria de estar na pele dos pilantras que ficam na mira de seus trabucos! O filme inteiro é uma sucessão de seqüências de ação desenfreadas, violentas e politicamente incorretas que pontuam a narrativa a todo instante. O diretor faz questão de mostrar um vasto número de vítimas inocentes sendo alvejadas por balas perdidas nas trocas de tiros ou sendo atropeladas e espancadas (como na cena onde uma mulher leva vários murros e pontapés em frente de seu filho apenas para ter sua bolsa roubada) enquanto Silva e Sabato enchem os bandidos de chumbo sem piedade alguma.

Em todo lugar que eu li sobre o filme, disseram que o Tarantini era um doido varrido, e algumas cenas realmente confirmam que uma obra como Poliziotti Violenti só poderia ter saído da cabeça de um louco mesmo. A seqüência onde uma criança é levada como refém dentro de um carro e Silva parte pra perseguição é absurdamente genial. Ele nem se preocupa em fazer o veículo dos meliantes capotar mesmo sabendo que há uma criança envolvida. Desde já, deixo meu agradecimento ao Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja por ter me enviado este belíssimo exemplar de Polizieschi.

No mês de outubro, dois blogs "concorrentes" (hehe), tanto o do Osvaldo quanto do Felipe M. Guerra escreveram sobre Poliziotti Violenti. Recomendo os dois textos para uma boa leitura e para conhecer melhor esta pérola do cinema policial italiano: aqui e aqui.

8.11.08

QUANTUM OF SOLACE (2008), de Marc foster

Bem mais ou menos este novo filme do espião James Bond, Quantum of Solace, e acho que a falha principal foi a escolha de Marc Foster na direção. O sujeito simplesmente não sabe dirigir ação. Foi um bom diretor do cinema independente americano, trabalhou razoavelmente em algumas produções maiores e estava curioso pra ver como ele se sairia neste aqui, principalmente por ser protagonizado por um ícone do cinema e que sempre se espera uma boa dose chumbo disparado e bastante vagabundo saindo de olho roxo.

Isto de fato acontece sem reclamações, o problema da maioria destas seqüências é cair na mesma situação de Chris Nolan em seu Batman Begins. Em vários momentos é impossível acompanhar o que se passa dentro do quadro com a câmera inquieta e às vezes, Foster parece perder totalmente a noção de espaço e mise en scène para porradaria, tiroteios e perseguições. E olha que eu não sou nem um pouco radical com câmeras treme-treme e Paul Greengrass já provou que se pode realizar boas seqüências deste tipo. Marc Foster tem muito que amadurecer neste aspecto.

O que sobra dá pra se divertir tranquilamente e não são todas as cenas de ação que são imcompetentes. Daniel Craig demonstra-se mais uma vez à vontade no papel de James Bond, Mathieu Amalric é um vilão interessante com objetivos maléficos que convencem. Até mesmo a temática ambientalista inserida na aventura é bem aproveitada. O roteiro segue uma linha diferente do filme anterior. Quantun of Solace é muito mais movimentado e quase todas as cenas levam à situações de ação, mas sobre este assunto, bom, infelizmente já comentei...

5.11.08

MIDNIGHT MEAT TRAIN (2008), de Ryuhei Kitamura

Surpresa das boas esta nova adaptação de um conto de Clive Barker para telona, Midnight Meat Train, dirigido pelo japonês Ryuhei Kitamura, que eu não conheço muito bem, mas é o responsável por obras como Azumi e Versus, e não faço a menor idéia se são bons, ruins ou tralhas que de tão ruim acabam divertindo (algum de vocês já viram?). Aqui ele mandou muito bem. O filme conta com Vinnie Jones num dos papéis mais sinistros de sua carreira e muita, mas muita violência explícita para delírio dos fãs de gore (apesar do excesso de CGI em algumas cenas).

A história é bem simples e trata de um fotógrafo que possui ambições artísticas e passa noites retratando paisagens urbanas, buscando captar o espírito da cidade através de suas fotos. É aí que sua busca entra no caminho do personagem de Vinnie Jones, um serial killer que estraçalha suas vítimas nos vagões do metrô altas horas da madrugada. Mas podem ficar tranqüilos que eu não estraguei nenhuma surpresa, o grande lance é a motivação assassina do personagem de Vinnie. Com certeza os seguidores das obras de Barker vão desconfiar que não se trata de um serial killer qualquer.

Midnight Meat Train também não está isento de problemas. O filme sofre um bocado com o ritmo, já que se trata de uma adaptação de um conto, fica claro em algumas situações que o diretor embroma a narrativa para conseguir material suficiente que caiba em 90 minutos. E ainda alguns buracos que surgem aqui e ali, mas tudo isso é muito bem compensado com Vinnie Jones em ação martelando as cabeças de suas inocentes vítimas com um instrumento de abater gado (e outros brinquedinhos). Uma coisa linda de se ver. Vinnie só diz uma frase durante todo filme, mas sua presença e sua expressão de poucos amigos já são marcantes o suficiente para torná-lo um dos grandes vilões do ano.

3.11.08

PORNO HOLOCAUST (1981), de Joe D'Amato


No início da década de oitenta, o diretor italiano Joe D’Amato realizou alguns filmes sob o sol do Caribe e ficou conhecida como a sua fase caribenha (bem criativo). Como sempre, a “agenda lotada” do diretor fez com que ele filmasse vários filmes ao mesmo tempo, seguindo a risca o lema “quanto mais, melhor” e com Porno Holocaust não foi diferente. Realizado junto com Erotic Nights of Livind Deads, D’Amato aproveita-se do mesmo elenco, das mesmas locações e quase o mesmo tema para criar uma obra que mistura sexo explícito com horror.

Mas o roteiro e o seu tema não importam tanto. A trama é risível e provavelmente só existe porque D’Amato ainda não queria se dedicar ao pornô absoluto de seus últimos filmes. Deveria haver uma história que pudesse intercalar uma cena de sexo com outra, sendo assim, o filme trata de um grupo de cientistas (um deles interpretado pelo grande George Eastman, embora não participe de nenhuma cena de sexo) que acaba numa ilha para estudar os danos causados por uma radiação, e eis que surge um mutante deformado meio zumbi que inicia uma onda de mortes na tal ilha, e que serve apenas para criar o elemento horror, mas acaba gerando não mais que gargalhadas.

Não dá pra levar a sério um mutante com aquela maquiagem, mas é divertido acompanhar seus ataques repentinos que permitem boas doses de gore, além de seus ataques tarados contra as mulheres. Mas a diversão não para por aí, ainda temos as tórridas cenas de sexo explícito e que, ironicamente, é onde a direção de D’Amato se sai melhor em Porno Holocausto. A cena onde duas mulheres colocam as aranhas pra brigar num tronco à beira da praia é extremamente bem filmada aproveitando-se da iluminação natural e da beleza das praias caribenhas.

Fim de semana fraquinho, acabei assistindo apenas dois filmes: Queime Depois de Ler (08) está mais para O Grande Lebowski que Matadores de Velhinhas e O Amor Custa Caro. Ufa! Que bom! Mesmo assim não deixa de ser um retrocesso depois do monumento Onde os Fracos não Têm Vez. O filme não é ruim, deixando bem claro, e o princípio que estabelece a narrativa é bem interessante partindo dos conceitos da espionagem, mas que se desdobra numa comédia de erros que fica entre a necessidade de ser um produto de humor comercial (e consegue bons resultados diante do publico, principalmente por causa dos diretores em questão e do elenco de estrelinhas) e a vontade de ser uma comédia de humor negro com ar de filme de autor. Acaba sendo uma mistura imperfeita, principalmente quando a primeira necessidade prevalece e temos, por exemplo, Brad Pitt se ridicularizando numa caricatura de sei lá o que, mas logo depois entra a segunda vontade, e a forma como retiram Pitt de cena é totalmente digna.

Badaladas à Meia Noite (65) é uma das maiores criações de Orson Welles, talvez somente abaixo, em sua filmografia, de A Marca da Maldade. O filme é uma compilação Shakespereana escrito pelo próprio diretor e modestamente financiado com dinheiro europeu, mesmo assim passa a impressão de grandiosidade, o cinema nas mãos de Welles é algo grandioso. A idade média é retratada com muita criatividade e domínio estético impressionante (uma fotografia barroca em preto e branco, com fios de luzes que entram pelas janelas e portas). A famigerada batalha que acontece no meio do filme é muito bem orquestrada e deixa qualquer Coração Valente ou Senhor dos Anéis no chinelo. Mas o ponto alto, uma das maiores antologias da obra de Welles, é a cena onde o príncipe/rei renega Falsfatt. Aliás, interpretado pelo próprio diretor, Falsfatt é a prova de sua maestria também como ator.

1.11.08

Filmes de Outubro

Segue a lista de todos os filmes vistos em Outubro (acabei não fazendo nenhuma revisão este mês):

THE LIFE AND TIMES OF JUDGE ROY BEAN (72, John Huston) * * * *
CURE (97, Kiyoshi Kurosawa) * * * * *
WALKABOUT (71, Nicholas Roeg) * * * *
MEDO DA VERDADE (07, Ben Affleck) * *
RENDEZ-VOUS (85, André Téchiné) * * * *
RIGHTEOUS KILL (08, John Avnet) *
LUZ SILENCIOSA (07, Carlos Reygadas) * * * *
BARE WENCH PROJECT (00, Jim Wynorski) * * *
TENDER FLESH (98, Jess Franco) * *
A DESCONHECIDA (06, Giuseppe Tornatore) * *
BORDERLAND (07, Zev Berman) * *
NAKED OBSESSION (91, Dan Golden) * * * *
THE BARON OF ARIZONA (50, Sam Fuller) * * * *
ESPELHOS DO MEDO (08, Alexandre Aja) * * *
A QUESTÃO HUMANA (07, Nicolas Klotz) * * * *
A ÚLTIMA AMANTE (07, Catherine Breillat) * * * *
EU SERVI AO REI DA INGLATERRA (06, Jirí Menzel) * * *
PAULINE NA PRAIA (83, Eric Rohmer) * * * *
CADÁVERES (06, Jason Todd Ipson) *
TOOTH AND NAILS (07, Mark Young) * *
FIVE FINGERS OF DEATH (72, Chang-hwa Jeong) * * * *
AINDA ME CHAMAM CAMPO SANTO (71, Giuliano Carmineu) * * *
CONTOS DE TÓQUIO (53, Yasujiro Ozu) * * * * *
O PECADO DE TODOS NÓS (67, John Huston) * * * *
BEAU TRAVAIL (99, Claire Dennis) * *
INGLORIOUS BASTARDS (77, Enzo G. Castellari) * * * *
CONSCIÊNCIAS MORTAS (43, Willian A. Wellman) * * * *

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...