Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2009

E DEUS DISSE A CAIM (1970), de Antonio Margheriti

Um Western Spaghetti estrelado pelo Klaus Kinski como este aqui é uma destas demonstrações fundamentais de toda razão de ser do cinema. Não que o filme em si seja uma obra prima absoluta, mas são pequenos detalhes, pequenas junções que formam o essencial. É praticamente impossível dar algo errado.

E DEUS DISSE A CAIM se resume basicamente numa trama de vingança. Kinski interpreta um sujeito que foi preso injustamente. Depois de 10 anos é liberto e parte para uma vingança pessoal em cima dos responsáveis pela desgraça toda. Kinski é todo o filme, mesmo dublado em italiano, o ator se manifesta com o olhar expressivo ou com a simples presença em cena como um fantasma da morte.

A direção é por conta de Antonio Margheriti (sob o pseudônimo de Anthony M. Dawson), um dos diretores mais versáteis desse período do cinema italiano (da década de 60 à 80). Trabalhou bastante com sci-fi e terror no início de carreira e praticamente terminou fazendo filmes de guerra e ação nas Filipinas. No meio do …

GOMORRA (2008), de Matteo Garrone

Finalmente assisti a este ótimo filme de Matteo Garrone, baseado no homônimo de Roberto Saviano. Trata-se de um filme que procura de alguma forma denunciar, analisar ou simplesmente mostrar o funcionamento de uma das organizações mafiosas mais perigosas do mundo, a “camorra”, que é algo um tanto complexo de se abordar tendo em vista a grande variedade de veias que funcionam dentro da organização.

Mas até que Garrone se sai muito bem, principalmente pelo tom realista, cru, sem trilha sonora nem o glamour de algumas fases dos filmes de gangsters americanos (sem desmerecer, obviamente, estas fases, que eu tanto adoro). Tudo gira em torno dos tentáculos da organização e o diretor tenta abocanhar um pouco de tudo. Optou por uma narrativa entrecortada por várias histórias e que gera um certo desequilíbrio no seu decorrer, pois alguns fragmentos não têm o peso de outros.

Coisinha boba de delimitação e quebra de ritmo, na verdade. As situações mais interessantes têm força suficiente para compen…

Stallone e seus mercenários

Visual de Stallone para seu personagem em THE EXPENDABLES, filme cuja direção também é assinada por ele. Impressionante o físico do sujeito aos 62 anos! E essas tatuagens? Vai me dizer que o cara não tem estilo?

O filme ainda possui um dos elencos mais exóticos que eu já vi: além do Stallone temos Dolph Lundgren, Jason Statham, Randy Couture, Forest Whitaker, Jet Li, Mickey Rourke. Parece que a trama gira em torno de um grupo de mercenários que tem como objetivo derrubar um ditador aqui da América do Sul. Obra prima pintando por aí...

FROST/NIXON (2008), Ron Howard

Me pegou de surpresa. Não esperava um filme tão interessante vindo do Ron Howard. É... não sou lá um apreciador do cinema do cara. Aliás, o vejo simplesmente como mais um diretor sem personalidade alguma da Hollywood atual. Mas mandou muito bem em FROST/NIXON que rendeu indicações ao Oscar de melhor filme, diretor, ator, etc. Não acho isso tudo, mas já nem discuto mais os critérios e motivos dos quais o povo da Academia escolhe os filmes indicados. Destas, só a de ator para o Frank Langella é realmente merecida.

Mas como eu disse, o filme me surpreendeu. Deve ser porque eu esperava algo bem diferente do que vi. Pensei que seria um filme essencialmente focado na entrevista que David Frost realizou com o ex-presidente americano Richard Nixon. Mas não. O filme vai mais além e é muito dinâmico. O roteiro explora de maneira ficcional os bastidores da famosa entrevista explorando ambos os lados (entrevistador e entrevistado) em seus momentos antes, durante e depois do tal evento.

Ron Howard a…

Samuel Fuller - Parte I

MATEI JESSE JAMES (1949): Logo no seu filme de estréia, Sam Fuller dá uma pequena demonstração do que seria o seu cinema de conflitos psicológicos e humanista. Filmado em apenas dez dias, o ambiente aqui é o de um western, mas a preocupação não é com o lendário herói do oeste, nem com o perigoso vilão rápido no gatilho. Fuller desconstrói seu protagonista, coloca densidade em seus passos e entra na mente do homem que matou Jesse James covardemente com um tiro nas costas. A cena do bar onde um sujeito canta a famosa canção sobre o ocorrido pode ser considerada a primeira antologia do diretor. * * * *

O BARÃO DO ARIZONA (1950): Também filmado em pouco tempo (precisou somente de quinze dias), é provável que não seja dos melhores filmes de Fuller, cujo resultado é até um tanto raso em comparação ao seu filme anterior, embora não deixe de ser um grande filme, principalmente quando temos como protagonista ninguém menos que o excepcional Vincent Price em início de careira, antes de se tornar …

1990 - OS GUERREIROS DO BRONX (1982), de Enzo G. Castellari

A essa altura, acho que quase todo mundo sabe que certa parcela do cinema italiano no início dos anos 80 era formada por alguns dos principais picaretas da indústria cinematográfica mundial. Choviam filmes italianos que se aproveitavam do sucesso comercial de outra produção. MAD MAX, por exemplo, foi responsável por gerar uma penca de filmes pós-apocalípticos carcamanos. 1990 – OS GUERREIROS DO BRONX é um belo exemplar, embora não tenha nada a ver com o filme estrelado pelo Mel Gibson. Na verdade, é uma mixagem inspirada de FUGA DE NOVA YORK, de John Carpenter com THE WARRIORS, de Walter Hill.

A direção do grande Enzo G. Castellari é muito acima da média das imitações de baixo orçamento que surgiam aos montes na época, mas 1990 – OS GUERREIROS DO BRONX não ficou livre de alguns problemas que constantemente eram encontrados nestas específicas produções, como é o caso do roteiro fraquíssimo, bem cretino mesmo, cheio de buracos e diálogos pífios, além do personagem principal, supostamente…

Cronenberg em estrelinhas

Sem muito o que dizer, segue as cotações para a filmografia de um dos meus diretores favoritos:

SENHORES DO CRIME (Eastern Promisses, 2007) * * * *
MARCAS DA VIOLÊNCIA (A History of Violence, 2005) * * * * *
SPIDER (2002) * * *
EXISTENZ (1999) * * *
CRASH (1996) * * * * *
M. BUTTERFLY (1993) * * * (precisando urgente de uma revisão)
NAKED LUNCH (1991) * * * * *
DEAD RINGERS (1988) * * * * *
A MOSCA (The Fly, 1986) * * * *
NA HORA DA ZONA MORTA (The Dead Zone, 1983) * * * *
VIDEODROME (1983) * * * * *
SCANNERS (1981) * * * *
THE BROOD (1979) * * * *
FAST COMPANY (1979) não vi
RABID (1977) * * *
CALAFRIOS (Shivers, 1975) * * *
CRIMES OF FUTURE (1970) não vi
STEREO (1969) não vi

ROCKNROLLA (2008), de Guy Ritchie

Sem tirar nem por, Guy Ritchie segue fazendo aquilo sabe, fiel ao seu estilo, doa a quem doer. Quem não gostou de seus filmes anteriores não é agora que vai passar a gostar. Mas quem gostou (como eu), vai se divertir mais uma vez com ROCKNROLLA, que pertence a mesma linha dos filmes que o “consagraram” (para o bem ou para o mal).

Inclusive o enredo possui o mesmo esquema: por trás de uma teia de tramas criminosas que se entrelaçam, há um objeto fetiche (o quadro da sorte de um gangster russo, neste caso) que passa de mão em mão entre os gangsters londrinos, um roqueiro drogado, uma contadora pilantra e etc. Tudo isso acompanhado pelo estilo videoclípico do ex-marido da Madonna que, vejam bem, funciona perfeitamente dentro da proposta.

A referencia principal de Ritchie é Tarantino, mesmo que os filmes de gangsters seja algo mais que clássico no cinema. Como eu disse, seus filmes sempre apresentam o cruzamento de histórias paralelas, mas continua acompanhando a escola do diretor de PULP F…

últimos filmes...

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (2008), de David Fincher: Era o meu favorito daquela premiaçãozinha cretina que ocorreu no último domingo, tendo em vista que GRAN TORINO e THE WRESTLER não concorreram ao prêmio principal. Mas este aqui também é muito bom, do mesmo nível que estes dois. Lógico que é infinitamente melhor que SLUMDOG (acho que já virei o maior detrator do filme do Danny Boyle). É uma espécie de conto de fadas para adultos, brilhantemente conduzido pelo David Fincher e com roteiro de Eric Roth (o mesmo de FORREST GUMP, e já até começaram as comparações entre os dois filmes...) adaptado de um conto escrito em 1922 por F. Scott Fitzgerald sobre um sujeito que nasce velho e vai rejuvenescendo na medida em que cresce. A partir dessa premissa bizarra, Fincher constrói uma trama riquíssima em detalhes que além de manter a atenção do público integralmente, consegue induzir a reflexão sobre o tempo e a morte (ou a vida). Me peguei pensando nessas questões ainda horas depois que…

THE WRESTLER (2008), de Darren Aronofsky

Continuando as falácias. Como disse há algum tempo atrás, o Mickey Rourke é um dos meus atores favoritos desde que comecei a acompanhar alguns filmes do cara dos anos 80. Rourke era um espetáculo atuando, algo que me lembra um Marlon Brando. Sério! É só assistir NOS CALCANHARES DA MÁFIA, CORAÇÃO SATÂNICO, O ANO DO DRAGÃO e muitos outros, pra perceber (ou não, o que é mais provável). E vou repetir: sempre achei que se não tivesse largado a carreira de ator pra seguir a de pugilista profissional, Rourke já teria roubado papéis de muitos oscarizáveis nos últimos anos. Mas agora não preciso mais pensar assim. O sujeito conseguiu se reerguer. E nossa! Como é bom ver novamente o velho Rourke atuando pra valer!

Todo mundo já deve saber o básico do filme, então vamos lá: Rourke vive aqui Randy 'The Ram' Robinson, um lutador de Luta Livre (é, aquela que é tudo de mentirinha) decadente que passa por maus bocados com a grana sempre apertada, saúde debilitada e problemas de relacionamento …

GRAN TORINO (2008), de Clint Eastwood

Falando em linguagem moderninha pós anos 90 (ver o post logo abaixo), estava conversando outro dia com o Daniel Dalpizzolo justamente como o Clint Eastwood e o John Carpenter parecem ser os últimos herdeiros de uma geração clássica da velha Hollywood. E pensando aqui comigo, se esses dois gigantes do cinema passassem dessa pra melhor, quais diretores assumiriam o seu lugar? Talvez nenhum, mas é engraçado como quanto mais maduro um cineasta se torna, mais perto de uma linguagem clássica ele chega. Nos últimos anos tivemos David Fincher com ZODIACO e Paul Thomas Anderson com SANGUE NEGRO, só pra ficar nos mais novos e reconhecíveis do grande público. Ainda não vi THE WRESTLER, mas já está me cheirando o filme mais maduro do Aronofsky. Mas deixo essa discussão para os comentários.

Vamos ao que interessa. Enquanto hoje, sexta feira, por um milagre divino, vai estrear A TROCA (o outro filme do diretor) aqui em Vitória, resolvi falar de GRAN TORINO. Não que tenha gostado mais de um ou do out…

SLUMDOG MILLIONAIRE (2008), de Danny Boyle

Já vou avisando logo que não gostei. SLUMDOG MILLIONAIRE é o típico filme que me cansa atualmente. Se o que o Danny Boyle fez aqui for cinema, então concordo que funk pode ser considerado musica! Ou seja, não deixa de ser filme, mas não tem nada de cinematográfico nessa linguagem irritante que não passa de um conjunto de videoclipes que vai pontuando a narrativa, e aqui isso acontece com excesso!

A história trata do rapaz que ficou milionário participando de uma espécie de Show do Milhão indiano, e mostra desde sua infância sofrida às duras penas até o momento em que vence o prêmio. É muita coisa pra pouco filme, acaba que esse longo percurso abordado seja resumido num carnaval "videoclíptico" de movimentos de câmera sem sentido, de uma edição rápida cujos planos e enquadramentos não possuem valor algum, é técnica pura, cinema que é bom, nada.

É a linguagem afetada de Danny Boyle, fazer o que? Parece que ele faz filmes pra estudantes de cinema preocupados em aspectos técnicos,…

Dupla sessão: John Woo

Uma das promessas em 2009 é tentar assistir mais John Woo. Não só ele, na verdade, mas também o Clint Eastwood, Budd Boetticher, Jacques Tourneur, Castellari, Aldrich, ih! A lista vai longe...

HARD BOILED (92) já faz um tempinho que eu vi, então me dêem um desconto, ok? Vou apenas passar o que eu me lembro. Primeiro, a observação óbvia de que este é o ultimo filme que Woo dirigiu em Hong Kong antes de ir pra Hollywood. Minha opinião: não sou muito fã dos filmes americanos dele. O ALVO é regular (Van Damme de mullets!), A ULTIMA AMEAÇA é bonzinho, o único que eu gosto realmente é A OUTRA FACE, daí pra frente ou é porcaria ou não vi. Já os filmes de Hong Kong, vi pouquíssimos. Mas voltando ao HARD BOILED, que maneira de se despedir de sua terra natal! Puxa vida! É uma verdadeira obra prima do cinema de ação. O filme inteiro é frenético e Woo demonstra total maestria na composição de cada cena, enquadramentos, movimentação de câmera, slow motion, inclusive os fogos de artifício, a pirotec…

THE GAUNTLET (1977), de Clint Eastwood

Pra começar com o pé direito (nada contra os canhotos) o ano de 2009, este filmaço danado de bom da melhor época que o cinema americano de policial/ação viveu, dirigido e estrelado pelo Clintão, que pertencia à mesma laia que Charles Bronson, Steve McQueen, Lee Marvin, e muitos outros que chutaram bundas de bandidos no cinema... bons tempos (não vividos)... sou de 83, então só comecei a assistir os filmes desses caras, com consciência de quem eram, já nos anos 90.

Falando em McQueen, ele foi a primeira opção para viver o policial Ben Shockley em THE GAUNTLET, que depois foi parar nas mãos do velho Clint, e de lambuja a direção do filme, que, aliás, é muito boa. Não havia ainda a perspicácia magistral de hoje, mas como filme de ação é bem segura. Deixa muito claro que o sujeito não ficaria apenas mandando brasa em westerns ou interpretando variações do policial Dirty Harry, como é o caso de Shockley.

Hoje, um romance como AS PONTES DE MADSON (se bem que este já tem um bom tempinho) ou dr…