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Mostrando postagens de Fevereiro, 2009

O VINGADOR SILÊNCIOSO (Il Grande Silenzio, 1968), de Sergio Corbucci

Ainda não sou um conhecedor da filmografia de Sergio Corbucci e já li por aí que o sujeito fez uns filmes bem fraquinhos ao longo da carreira, mas quando a coisa é boa (como DJANGO, de 1966, e este aqui), ele acerta em cheio e é por isso que é fácil classificá-lo como um dos maiores realizadores de Western Spaghetti. O VINGADOR SILÊNCIOSO é provavelmente um dos melhores e o mais pessimista exemplar do subgênero. E é por esse pessimismo, principalmente no controverso desfecho, que não é de se estranhar que o filme nunca tenha sido lançado nos Estados Unidos.

O VINGADOR SILÊNCIOSO é estrelado pelo ator francês Jean-Louis Trintignant e o grande Klaus Kinski, só isso já o torna imperdível. No lugar do francês, a primeira escolha era Franco Nero, que já havia trabalhado com o diretor, mas estava com a agenda lotada. Trintignant só aceitou fazer o filme porque era muito amigo do produtor e sob a condição de que não precisasse decorar nenhuma fala. Criaram então um personagem mudo, cujas cord…

COP (1988), de James B. Harris

COP é todo James Woods. O sujeito parece que nasceu para o papel do policial que faz aqui e deposita seu estado de graça num personagem subversivo, controverso e provocativo. Assim como o próprio filme também o é. O plot é bem simples (policial obcecado em resolver um caso envolvendo um serial killer), mas é a complexidade do personagem e a capacidade de Woods de interpretá-lo é que torna tudo mais interessante.

Só pra dar uma noção do que o sujeito é capaz, basta observá-lo enchendo um suspeito desarmado (isso mesmo, o cabra era um suspeito e estava desarmado) de balas a sangue frio, apenas por abrir a porta do carro de maneira um tanto "brusca". Outra: depois de chegar em casa e descobrir que a mulher o abandonou com a filha, na cena seguinte já mostra o cara transando com uma de suas informantes.

E Woods está perfeito fazendo isso, com uma naturalidade absurda. E é o tipo de ator que quando surge em cena os nossos olhos logo querem acompanhá-lo. E em COP ele está presente e…

NÃO TOQUE NO MACHADO (2007), Jacques Rivette

Precisava me iniciar em Jacques Rivette de alguma maneira, então resolvi começar de trás pra frente. NÃO TOQUE NO MACHADO é lindo, uma escolha acertadíssima e foi o último filme do diretor, que fará 81 anos em breve. Engraçado como o cinema francês atual anda um pouco carente de diretores novatos com a mesma força desses velhinhos que ainda teimam em fazer filmes. Obviamente há, mas são poucos. A grande maioria não consegue alcançar a qualidade de um Chabrol, Rohmer ou Resnais, levando em consideração seus últimos filmes. E o Rivette aqui para dar mais credibilidade à teoria.

NÃO TOQUE NO MACHADO é a adaptação de “A Duquesa de Langeais”, escrito por Balzac, e apresenta o general francês Armand de Montriveau que se encontra numa ilha espanhola com a missão de restaurar o Rei Ferdinando VII ao trono, já que após a queda de Napoleão Bonaparte, a Espanha volta-se para os braços da França (se quiser saber mais, vai ler um livro de história!). Tudo balela, já que o verdadeiro objetivo de Ar…

Samuel Fuller - Parte II

ANJO DO MAL (1953): Um dos primeiros filmes do Fuller que eu vi. É também a primeira vez que ele trabalhou com o ator Richard Widmark, neste thriller político em forma de noir com uma trama que envolve agentes secretos, policiais e no meio do fogo cruzado, um batedor de carteiras que tenta manter-se neutro em ambos os lados. Muito suspense, seqüências bem conduzidas, violentíssimo para a época e a aula de construção de personagens habitual. * * * *

HELL AND HIGH WATER (1954): Segundo filme com o Widmark e o primeiro em cores (numa produção da Fox), mas Fuller não parece muito à vontade trabalhando com um orçamento mais gordo do que está acostumado. De maneira alguma é um filme ruim, mas possui excessos além do necessário para um diretor que parece sempre filmar o essencial. Aqui, Fuller demonstra toda sua noção de arquitetura e espaço ao contar uma estória tensa que se passa, em sua maioria, dentro de um submarino. * * *

HOUSE OF BAMBOO (1955): Um dos mais brilhantes do diretor, princi…

SEVEN MEN FROM NOW (1956), de Budd Boetticher

Primeiro contato com o cinema de Budd Boetticher neste western inteligente, puramente cinematográfico e alegoricamente interessante. O elenco é encabeçado por Randolph Scott e, se não me engano, inicia aqui uma pareceria com o diretor que rendeu alguns clássicos famigerados (aliás, os outros filmes desta parceria eu já tenho e vou comentando na medida em que for assistindo). Scott interpreta um ex-xerife atrelado numa caçada por sete sujeitos que assassinaram sua esposa em um assalto; ao longo do caminho ele encontra algumas pessoas que o acompanha, como um casal que ruma para Califórnia numa carroça e um antigo desafeto do protagonista, vivido por Lee Marvin (fazendo um belo contraste Marvin, sempre robusto x Scott e seu jeitão lacônico). Boetticher é bem seguro narrativamente e sabe utilizar as simbologias do gênero, a paisagem, o espaço, as cores, tudo em favor de um estilo simples e respeitador dos princípios da linguagem cinematográfica, o que torna cada plano um espetáculo visu…

BULLET IN THE HEAD (1990), de John Woo

É chover no molhado dizer isto, mas o John Woo é destes casos de diretores cuja carreira desanda para uma irregularidade cretina após deixar seu país natal. Gosto de alguns filmes hollywoodianos do cara (A ULTIMA AMEAÇA, FACE OFF...), mas na minha opinião, nem o melhor deles consegue chegar aos pés de qualquer filme “hong kongiano” entre os que assisti. BULLET IN THE HEAD foi o ultimo que eu matei e a reação é a mesma de THE KILLER e HARD BOILED. filmaço!

A situação aqui é bem ambiciosa e concentra-se em três amigos (Jacky Cheung, Tony Leung e Waise Lee) muito próximos que vivem na China em meio às manifestações sociais, a miséria e a criminalidade. Quando um deles comete um assassinato, os três decidem fugir do país e vão para Saigon em plena Guerra do Vietnã. Lembrou-me um bocado de O FRANCO ATIRADOR, do Michael Cimino (principalmente na cena do “campo de concentração” vietcong), mas no formato de um pequeno épico de ação com incríveis momentos de violência extrema.

Essa ambição de Wo…

FIGHT FOR YOUR LIFE (1977), de Robert A. Endelson

A imagem acima já dá uma noção do grau de insanidade dos realizadores de FIGHT FOR YOUR LIFE, um verdadeiro exemplar da era dos cinemas grindhouse, subversivo ao extremo, corajoso e repugnante, feito para provocar o público e que rendeu um lugar na lista dos vídeo nasties. Hoje, está um pouco esquecido, mas tudo bem...

Basicamente, a história segue um trio de condenados que, logo no início, consegue escapar do ônibus de transporte da prisão, troca tiro com a polícia e foge no carro de um cafetão. O bando é liderado por Jessie (William Sanderson, de BLADE RUNNER, doentio, depravado e perfeito neste aqui) e conta com Chino, um mexicano, e Ling, um asiático; e em uma cidadezinha aos arredores de Nova York acabam numa casa onde mantém uma família de negros como reféns! É um filme multi-racial, como podem notar...

É neste ambiente que grande parte da coisa se desenrola. Toma uma forma bruta a partir da direção crua e realista de Robert A. Endelson que explora o roteiro de Straw Weisman sem…

SHE MOB (1968), de Harry Wuest

A Something Weird foi uma famosa distribuidora americana especializada em bagaceiras trash, exploitations e coisas do gênero, como por exemplo SHE MOB, uma tralha que só mesmo esta distribuidora teria a cara de pau de distribuir. É o típico filme que de tão ruim, de tão mal feito, acaba valendo a pena como diversão e curiosidade. Ainda mais com a bela dose de nudez gratuita que o diretor Harry Wuest (não creditado) faz questão de captar em sua câmera mal iluminada.

E não é só a fotografia que é precária. Os atores também não valem o ingresso, com exceção de Marni Castle, que além de fazer um papel duplo, realiza um bom trabalho com a personagem da vilã lésbica Big Shim. A produção é risível e o diretor é péssimo, mas faz o que pode para encenar as situações. Mas chega de mandar brasa no filme, porque pelo menos a história é engraçada e bem movimentada na medida do possível.

Somos apresentados no início a um casal. Mas logo percebemos que Tony é um gigolô, embora Brenda realmente ame o…

BONNIE & CLYDE (1967), de Arthur Penn

Dizem por aí que o ator (e produtor do filme), Warren Beatty precisou implorar de joelhos perante a cúpula da Warner para levar às telas de cinema a vida de Bonnie e Clyde, o famoso casal que roubava bancos na época da depressão americana. Cabeças duras, como sempre, os executivos não tinham idéia de que BONNIE & CLYDE (no Brasil, UMA RAJADA DE BALAS) iria se tornar uma das obras mais influentes do cinema americano e mudaria totalmente a maneira de tratar a violência em Hollywood.

Hollywood, claro! Porque violência, sangue e gore já existia há muito tempo no cinema americano. Mas seria injusto desmerecer a maneira como a violência é abordada aqui. Tomemos por exemplo um dos primeiros assaltos quando Michael J. Pollard estaciona o que deveria ser o carro de fuga. A situação vira uma cena cômica até que PIMBA! Um tiro na cabeça de um funcionário do banco, muito sangue espalhado e acaba a palhaçada!

Não é preciso nem tocar no assunto do desfecho de BONNIE & CLYDE também, não é? Aqu…

PUBLIC ENEMIES

Definitivamente, PUBLIC ENEMIES, do Michael Mann, é o filme mais aguardado por mim em 2009...

THE STREETFIGHTER (1974), de Shigehiro Ozawa

Não, THE STREETFIGHTER não possui qualquer tipo de ligação com o famoso jogo de vídeo game, muito menos com aquela adaptação porca estrelada pelo Van Damme. Este aqui é um autêntico clássico das artes marciais que, se você ainda não conhece, torna-se obrigatório a partir de agora! É estrelado pelo grande Sonny Chiba, provavelmente o maior astro dos filmes de artes marciais, embora não tenha sido tão popular quanto Bruce Lee. O Quentin Tarantino, por exemplo, é um grande fã e colocou o sujeito pra interpretar o Hattori Hanzo em KILL BILL.

O filme é uma maravilha onde a pancadaria come solta sem parar, mas por trás de tudo, há uma trama bem contada e elaborada que o torna muito mais interessante. Chiba vive um bandido de aluguel que resolve “trocar de lado” para defender a única herdeira de uma grande companhia e que possui a máfia nos calcanhares. Trocar de lado entre aspas porque, na verdade, o sujeito só quer mesmo levar uma boa grana. Mas para isso vai ter que enfrentar vários capan…

TAXIDERMIA (2006), de György Pálfi

Só fui assistir agora essa bizarrice do cinema húngaro, bastante elogiado nas mostras onde passou em 2006, e que nunca pintou nos circuitos comerciais. Mas era óbvio que isso aconteceria, basta assisti-lo pra saber a razão...

TAXIDERMIA é dividido em três partes. Narra a história de três homens da mesma família, mas em gerações e épocas distintas, criando um insólito painel da história da Hungria. O primeiro é um soldado que vive agregado a uma família no final da Segunda Guerra, em um local inóspito no interior do país, e possui estranhos hábitos como o de passar o fogo de uma vela sobre o seu corpo, até que seu pênis solte uma labareda de chamas! Yeah! O filme é bizarro a este ponto.

O filho dessa figuraça é o protagonista do segundo ato, que nasceu com um rabo de porco, é obeso e campeão dessas competições onde é vencedor quem consegue ingerir uma quantidade maior de alimentos em menos tempo. Uma coisa muito nojenta de se ver e as cenas onde os competidores vomitam normalmente enquan…

Exploitations Favoritos

Lista esquizofrênica dos meus 30 Exploitations favoritos (e provavelmente devo ter esquecido alguns), sem ordem de preferência:

ASSAULT ON PRECINCT 13 (1976), John Carpenter
BASKET CASE (1982), Frank Henenlotter
THE BEYOND (1981), Lucio Fulci
BLOOD FOR DRACULA (1974), Paul Morrissey
BUIO OMEGA (1979), Joe D'Amato
CANNIBAL HOLOCAUST (1980), Ruggero Deodato
COFFY (1973), Jack Hill
DAY OF THE DEAD (1985), George A. Romero
DEATH RACE 2000 (1975), Paul Bartel
DEEP THROAT (1972), Gerard Damiano
DELLAMORTE DELLAMORE (1994), Michele Soavi
THE DRILLER KILLER (1979), Abel Ferrara
FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL! (1965), Russ Meyer
FIVE FINGERS OF DEATH (1972), Chang-hwa Jeong
FOI DEUS QUEM MANDOU (1976), Larry Cohen
ILSA, SHE WOLF OF THE SS (1975), Don Edmonds
INGLORIOUS BASTARDS (1978), Enzo G. Castellari
I SPIT ON YOUR GRAVE (1978), Meir Zarchi
LADY SNOWBLOOD (1973), Toshiya Fujita
PROFONDO ROSSO (1975), Dario Argento
QUADRILHA DE SÁDICOS (1977), Wes Craven
RABID DOGS (1974), Mario Bava
ROLLING THUNDER (1977), Joh…

THE READER (2008), de Stephen Daldry

O Stephen Daldry numa hora dessas deve estar se achando o rei da cocada. Mas com todo esse hype que a Academia criou em cima dele, seria difícil pensar diferente. Três filmes no currículo, três indicações a melhor diretor e duas de melhor filme. O pior é que ele nem vale isso tudo. Ok, é um diretor razoável, tem sua personalidade, quem sou eu pra ficar falando alguma coisa?

E THE READER até que não é ruim. Tem um argumento interessante (que eu não quero contar), boas atuações – mas nada impressionante (a não ser a ousadia da Kate Winslet, toda murcha, aparecer nua em vários momentos) – uma ótima fotografia, trilha sonora, direção de arte e toda parte técnica funcionado legal. Daldry até que se dá bem com planos abertos, lúgubres e contemplativos, mas na direção de atores a coisa fica feia.

Nada que estrague muito a diversão do espectador menos exigente, mas vou tentar explicar o que me incomodou: acho que o problema está na encenação, no comportamento dos atores em cena (não quero dizer…

vampiros e elefantes...

Acabei não postando a segunda parte da filmografia do Fuller por "problemas técnicos", mas uma hora vai...

Fim de semana assisti A DANÇA DOS VAMPIROS (67), do Roman Polanski. Ainda preciso ver muita coisa dele das décadas de 60 e 70. Só assisti os mais famosos: REPULSA AO SEXO, O BEBÊ DE ROSEMARY, CHINATOWN, etc. Gostei bastante dessa comédia macabra de forte apelo visual (algo parecido com alguns Bavas coloridos da década de 60) onde temos um professor canhestro e seu ajudante medroso (o próprio Polanski) às voltas com uma família de vampiros na Transilvânia, repleto de gags que se baseiam nos clichês dos filmes de vampiros. Uma forma inteligente de homenagear o gênero... Ah, e ainda tem a Sharon Tate, estonteante e arrebatadora em todos os momentos que aparece no quadro.

Assisti também mais um filme do Clintão, tentando preencher as lacunas do diretor que ainda me restam. Mas faltam poucos agora. CORAÇÃO DE CAÇADOR (90) me pareceu um dos melhores filmes do diretor e é imposs…