Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2010

Dica de Blog

Editado por Matheus Ferraz, Fräuleins sem Uniforme é dedicado a um dos subgêneros mais insanos e pertubadores: nazi-exploitation! Não deixem de prestigiar!

THE TOURNAMENT (2009), de Scott Mann

A cada sete anos, em uma cidade diferente, um grupo de jogadores do alto escalão executa apostas numa competição onde os maiores assassinos profissionais do mundo todo se reúnem para matar uns aos outros. Só pode haver um sobrevivente e este recebe um prêmio de dez milhões de dólares. O problema é que depois deste evento, o comércio de assassinatos por encomenda fica carente de bons profissionais, mas isso não é da minha conta.

Com essa premissa apelativa, o título genérico THE TOURNAMENT, Ving Rhames e Robert Carlyle no elenco, não entendi porque o filme não teve lançamento comercial nos cinemas americanos. Chegou a passar em algumas mostras, mas foi lançado direto no mercado em DVD e isso poderia ser mal sinal. A não que fosse intenção dos realizadores, mas estariam perdendo uma boa oportunidade de arrecadar mais.

De qualquer forma, fui sem grandes expectativas, mesmo com a indicação do amigo BLOB, que possui extremo bom gosto e havia gostado deste aqui. Mas uma das coisas que me c…

SINGAPORE SLING (1990), de Nikos Nikolaidis

Alguém aí conhece esta belezura vinda da Grécia? Eu não fazia idéia da existência de SINGAPORE SLING até ontem a noite quando me me deparei por acaso. Trata-se de uma das experiências mais bizarras e pertubadoras que eu já tive com cinema, uma coisa linda, encontro de cinema noir dos anos 40 com David Lynch, surrealismo, filmado em preto e branco, alto grau de erotismo e imagens extremas de revirar o estômago.

Na trama, um detetive procura Laura, que está desaparecida, mas acaba sequestrado por duas mulheres em uma mansão – uma delas é sósia da tal Laura (ou será que ela é mesmo a desaparecida?) – que adoram explorar os limites do prazer, seja cometendo assassinatos, comendo carne humana como se fosse um manjar da alta classe e praticando o coito em suas mais variadas formas, utilizando dos mais variados estímulos, como tortura, choques elétricos, vômito e urina enquanto praticam o ato sexual.

Tudo isso é lançado na tela de forma quase explícita pelas cameras do diretor Nikos Nikolaid…

O FANTASMA DO PARAÍSO (Phanton of the Paradise, 1974), de Brian De Palma

Nossa! É incrível como eu já não me lembrava de mais nada de O FANTASMA DO PARAÍSO. Revi como se fosse a primeria vez e o filme me surpreendeu de uma maneira muito interessante.

É uma verdadeira anomalia dentro do cinema de Brian De Palma e é bacana perceber como ele era um diretor tão moderno naquela época. O sujeito já dominava uma condução com ritmo de videoclip muito antes de começarem a estuprar este tipo linguagem. Obviamente já neste período não era algo tão original assim, só que o De Palma acerta em cheio no tom deste musical surrealista, psicodélico e surtadíssimo, inspirado em uma espécie de mistureba entre O Fantasma da Ópera, Fausto e O Retrato de Dorian Gray!

O FANTASMA DO PARAÍSO é um conto trágico sobre Wislow, um compositor ingênuo que tem sua música roubada por Swam, um grande empresário sem escrúpulos. Quando resolve correr atrás dos seus direitos, se envolve em uma série de situações desagradáveis que culminam num trágico acidente que destroem seu rosto e voz.

Dado…

OS ÚLTIMOS MACHÕES (The Last Hard Men, 1976), de Andrew V. McLaglen

O mercado de DVD aqui de Vitória é uma porcaria. Raro achar algumas preciosidades dando sopa. Minha coleção é composta mais por filmes comprados via internet, então fica difícil ser colecionador sendo pobre e morando num fim de mundo, como é o meu caso. Mas a gente dá um jeitinho. Achei OS ÚLTIMOS MACHÕES numa loja de shopping por acaso e não pensei duas vezes antes de levar. Só fui assistir hoje e é realmente um faroeste muito bom!

Westerns crepusculares são meio amargos e melancólicos, mas é sempre um prazer conferi-los. OSÚLTIMOS MACHÕES segue nessa mesma linha, com a era do fora-da-lei do velho oeste selvagem chegando ao fim, cedendo lugar à sociedade moderna. Na trama, temos dois monstros em plena forma: James Coburn e Charlton Heston – que podem muito bem representar o cinema de macho que o título nacional evoca (embora o personagem do primeiro tenha uma certa ambiguidade em relação à sua sexualidade) – em lados opostos da lei, mas pertencentes a este pequeno grupo que caminhava …

José Saramago

R.I.P 1922 - 2010
Assisti algumas coisas bem interessantes, mas tenho andado um pouco sem tempo ultimamente para escrever e postar com boa frequência, mas valem ao menos alguns comentários rápidos. Um dos melhores foi o clássico esquecido de 1965, do americano exilado na Inglaterra, vítima do Marcartismo, Cy Endfield, PERDIDOS NO KALAHARI (Sands of Kalahari). É um belíssimo trabalho, uma verdadeira aula de cinema na questão dos espaços. Difícil de acreditar que nunca tenha recebido o reconhecimento que merece. O filme começa devagar quase parando, apresentando aos poucos os personagens que embarcam num avião clandestino por causa do preço camarada que o piloto arranjou. Mas como o barato sai caro em quase todos os filmes, a tripulação acaba vítima de um pouso forçado em pleno deserto sul-africano. A cena da queda com a nuvem de gafanhotos é sensacional! A partir desta situação extrema é que o filme vai crescendo cada vez mais até chegar a um dos finais mais aterradores que eu já vi!


Conferi pela pri…

VIGILÂNCIA TOTAL (Under Surveillance, 1991), de Rafal Zielinski

Mais de uma semana sem atualizar, tanto filme bom pra comentar e acabo postando sobre uma bagaceira que provavelmente quase ninguém se lembra, sequer chegou a ver ou tenho certeza que não vai se interessar… Mas é este o espírito do blog, o qual eu tenho me desviado ultimamente sem querer. Mas vamos à tralha: mais indicado para os apreciadores do ator Robert Davi, este UNDER SURVEILLANCE foi uma entre tantas tentativas modestas e frustradas de colocá-lo como um action man dos anos 90.

A escolha de Davi até que é bacana. Acho um ótimo ator e desde a década de 1980 ele acabou se tornando uma dessas figuras subestimadas pelos grandes estúdios, mas sempre marcando presença em produções de gênero. Possui um talento indiscutível e, talvez por não ser muito chegado a beleza, geralmente se dá melhor nos papéis de vilão. Com certeza merecia mais respeito e o direito de ter seu nome ligado às fitas de ação dos anos 90.

O problema é que UNDER SURVEILLANCE é ruim pra burro! Um thrillerzinho chato…

Notas sobre filmes recentes

- TRUE LEGEND (Su Qi-Er, 2010), de Yuen Woo-Ping
O filme é uma mistura das mais surtadas que homenageia o cinema de artes marciais em todo seu esplendor, especialmente o wuxia, que contempla o lado fantástico do gênero. TRUE LEGEND mais parece uma brincadeira com os vários ingredientes que fizeram – e ainda fazem – a cabeça dos fãs. A narrativa lembra um video game, é porrada do começo ao fim, repleto de referências que vão desde DRUNKEN MASTER a FIVE DEADLY VENONS e muitos outros. Ah, vale lembrar que o diretor Woo-Ping é um dos grandes nomes do cinema de artes marciais de todos os tempos, tendo no curriculo vários clássicos do gênero. TRUE LEGEND marca seu retorno. Desde 1996 ele não dirigia nada para cinema. E continua um mestre em conduzir magníficas sequências de ação (a luta que se desdobra dentro de um fosso é sensacional). Nem os efeitos especiais de CGI exagerados e a abrupta mudança de foco do enredo conseguem atrapalhar a diversão.

- MOTHER (Madeo, 2009), de Bong Joon-Ho
Bon…

MISHIMA - UMA VIDA EM QUATRO CAPÍTULOS (Mishima: A Life in Four Chapters, 1985), de Paul Schrader

Uma dessas historinhas de bastidores conta que após realizar A MARCA DA PANTERA a vida de Paul Schrader entrou numa maré de azar danada, como uma espécie de maldição. O sujeito foi parar no Japão onde teve a idéia de filmar a vida de Yukio Mishima, provavelmente o maior escritor japonês do século XX. Conseguiu dinheiro com a dupla Francis F. Coppola e George Lucas, escreveu o roteiro junto com seu irmão, Leonard, e filmou uma cinebiografia incomum e de rara beleza no cinema americano. Um verdadeiro banquete de soluções visuais que impressiona até mesmo o espectador mais exigente.

Mishima era uma figura curiosa, um misto de genialidade e loucura, narcisista ao extremo, ativista político, que encontrou um ótimo desempenho aqui na pele de Ken Ogata. O roteiro dos irmãos Schrader é muito inteligente e divide o filme em capítulos e variações temporais, além de inserir três obras de Mishima à narrativa, com o intuito de se aprofundar às variadas máscaras de seu protagonista.

Em seu último d…

VALHALLA RISING, por Davi de Oliveira Pinheiro

Ao final do visionamento de VALHALLA RISING talvez você esteja um pouco machucado. Algumas marcas de machado no braço, alguns cortes de lâmina na barriga, mas nada que mate, afinal um filme é um filme, mas em tempos de tecnologias que tentam aumentar a imersão do espectador, é interessante uma obra que se atém a preceitos básicos de imagem e som para criar esta imersão.

VALHALLA RISING ao mesmo tempo em que ataca de forma visceral o espectador, lhe dá mais forças através de uma jornada que para cada um deve ser muito particular, já que é um filme de silêncios, da relação do homem com o ambiente, seja o espaço que separa continentes ou mesmo o compacto de uma embarcação. Trata superficialmente de fé, misturando mitologia nórdica e cristã, mas sua relação principal é com a transcendência do homem, a sua própria noção de importância e de seu lugar na história.

O personagem principal, o Caolho (Mads Mikkelsen, um de meus novos atores favoritos), não participa do filme e de ambições históri…

O ESCRITOR FANTASMA (The Ghost Writer, 2010), de Roman Polanski

Como se não bastasse apenas uma premissa inteligente e filmar com maestria arrepiante, Polanski faz em O ESCRITOR FANTASMA alguns dos mais belos planos e sequencias que eu vi recentemente numa sala de cinema. Só os mestres filmam desse jeito… O diretor imprime um ritmo mais lento, reflexivo, sem pressa. Todo o filme se baseia em climas e na construção atmosférica de puro suspense. Sim, o filme é anacrônico, mas para quem está de saco cheio das mesmas fórmulas de como se faz suspense atualmente, O ESCRITOR FANTASMA é mais que suficiente.

E estamos falando de uma das maiores autoridades no assunto. REPULSA AO SEXO, O BEBÊ DE ROSEMARY e O INQUILINO são apenas alguns exemplos que provam a genialidade de Polanski na condução do suspense da maneira correta como tem que ser. A trama parte da ótima idéia de um escritor britânico (McGregor), o fantasma do título, contratado para substituir um outro autor que morreu de forma suspeita enquanto escrevia as memórias do ex-primeiro ministro da Ing…