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THE NEW BARBARIANS, aka I Nuovi Barbari (Enzo G. Castellari, 1983)


Antes de encarar a continuação de OS GUERREIROS DO BRONX, vamos seguir a ordem do imdb e falar um bocado de outro action movie pós-apocalíptico dirigido pelo Enzo G. Castellari: THE NEW BARBARIANS, também conhecido como THE WARRIORS OF THE WASTELAND (lançado no Brasil como GUERREIROS DO FUTURO). Há até quem diga que, apesar de não fazer parte oficialmente do universo estrelado por Trash (Mark Gregory) e sua turma, este aqui completaria a trilogia de filmes de ação que transcorrem em futuros distópicos que Castellari realizou nos anos 80. É justo...

Estamos no boom do cinema pós-apocalíptico e o cineasta italiano que não entrasse na brincadeira estava por fora. Lucio Fulci, Joe D’Amato, Sergio Martino, Bruno Mattei, etc, etc... Mario Bava só não entrou porque morreu antes do gênero realmente estourar. E Dario Argento, antes de fazer de tudo para destruir sua reputação com abjetos como DRACULA 3D conseguiu permanecer no seu estilo, dirigindo e produzindo horror de qualidade. O resto teve que procurar terrenos baldios no interior da Itália (como é o caso de THE NEW BARBARIANS) para fazer de cenários pós-apocalípticos.


No ano de 2019, após um holocausto nuclear, um grupo intitulado Templários toca o terror para cima dos poucos seres humanos que ainda vagam pelo mundo devastado. Eles se consideram uma raça superior e por onde passam o resultado é morte e destruição. Para nossa sorte, existem ainda algumas pessoas de bom coração, como Scorpion (Giancarlo Prete), Nadir (Fred Williamson) e o moleque de A CASA DO CEMITÉRIO, do Fulci, (Giovanni Frezza) que é um exímio atirador de estilingue e um mecânico de primeira. Os três unem força para lutar contra as forças malignas dos Templários, liderado por One (o grande George Eastman).


E pronto, a trama não passa muito disso. Os roteiristas se preocuparam apenas em criar premissas bem básicas, uns personagens bacanas e deixar o pau comendo solto a torto e a direito. O espírito era “vamos ligar a câmera e ver o que acontece”. O que torna THE NEW BARBARIANS, ao mesmo tempo, um dos filmes mais fracos e mais divertidos do Castellari. Depende do que lhe interessa na sua busca cinematográfica. Pessoalmente, acho sensacional! Diria até que se trata de "bom cinema" sob determinados aspectos.


Libertando-se do roteiro, a criatividade dos realizadores foi toda concentrada na criação de sequências de ação e na concepção dos veículos futuristas, nos figurinos, adereços, penteados, armas... E pelo que pude entender da mensagem que o filme deixa, estilistas não muito chegados na fruta (acho que isso foi um pleonasmo) tem mais chance de sobreviver a uma catástrofe nuclear. Digo isso baseando-me no visual dos Templários. Deve ser extremamente difícil manter esse penteado num mundo devastado e sem um supermercado por perto... será que é esse o objetivo dessas moçoilas de ombreiras? Destruição em massa em busca de produtos de beleza para manter o look?


Enfim, se FUGA DE NOVA YORK e THE WARRIORS eram as fontes de inspiração de OS GUERREIROS DO BRONX e FUGA DO BRONX, em THE NEW BARBARIANS percebe-se claramente que Castellari viu e reviu MAD MAX II um punhado de vezes antes de começar as filmagens. Além dos carros, ambientação e outros detalhes, Scorpion é uma cópia cuspida e escarrada da personalidade do Mad Mel no filme de George Miller.


Numa entrevista nos anos 90 para a European Trash Cinema, Castellari diz que o orçamento de THE NEW BARBARIANS foi um dos mais risíveis com o qual já trabalhou e por isso se orgulha muito das sequências de ação que conseguiu realizar por aqui. Há uma abundância de tiroteios com efeitos sonoros de lasers (e que quando acertam o alvo fazem um estrago danado, especialmente no corpo humano), perseguições de carro, explosões, pancadaria, cabeças rolando, uma coisa linda.


Nessa mesma entrevista, o diretor declara o seu amor ao cinema de Peckinpah e a maneira como este utiliza o slow motion em cenas de ação. E aqui Castellari usa e abusa desse mesmo artifício. Visualmente, a ação de THE NEW BARBARIANS é um espetáculo dos bons, apesar do orçamento baixíssimo.


É preciso destacar ainda alguns momentos realmente interessantes e inusitados por aqui, como a participação limitada, mas muito bem utilizada do personagem de Williamson e seu arco e flecha destruidor, com um conjunto de explosivos coloridos de fazer o Rambo ficar com invejinha. Ui! E já que voltamos a falar de boiolice, THE NEW BARBARIANS deveria ser lembrado por ser o melhor (e provavelmente o único) exemplar do ciclo de filmes pós-apocalípticos italianos no qual o herói é capturado e literalmente currado, violado, estuprado, arrombado pelo lider dos vilões... Geez, esses italianos eram mesmo insanos!

Para se aprofundar ainda mais no filme, recomendo este texto, do Felipe M. Guerra. Garantia de boas risadas.

Comentários

  1. Ótima postagem, embora que eu ainda prefira o 1990 - Guerreiros do Bronx.

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